quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Alegria na adversidade

"Em um hospital estava internado dois pacientes, um a direita do quarto e outro a esquerda da porta, quero dar-lhes o pseudônimo de José e João, todo os dias os enfermeiros entravam e saiam por varias vezes para atendê-los sem fazer diferenciação, entre cor, condições financeiras, raça e ou religião ; mas sempre observava a diferença no comportamento dos dois pacientes, entre José e João.
O José estava sempre angustiado, reclamava de tudo: da comida, do lugar, das dores, do atendimento, dos médicos, da limpeza, do calor, do frio, do tempo da temperatura e etc, já o João o outro paciente, convivendo no mesmo quarto, diante das mesmas adversidades; mas tinha uma maneira diferente de enfrentar as dificuldades em que a situação lhes impunha. Buscava com alegria olhar a vida por um outro angulo, com muita calma procurava apaziguar o coração do companheiro José;
todos os dias, João, deitado ao lado da janela, embora não podia se movimentar, cumprimentava o colega com um “bom dia”, e começava a descrever o brilho do sol, descrevia o andar das crianças, o casal de namorados, o cachorro que corria a brincar com as crianças, o menino de bolsa grande que corria atrasado para a escola, a velhinha da sombrinha azul, e o homem que andava de bicicleta, falava do jardim embeleza a paisagem de sua janela.
Todos os dias joão tinha uma história a descrever, o amigo gostava de ouvi-las, parava em silencio e por horas ficava a pensar como seria bom ele poder mudar de leito e ficar ao lado da janela. José dizia em seu coração, no dia em que eu mudar de leito, para o lado da janela vou ser alegre e feliz, bem que muitas das vezes tentou negociar com os enfermeiros, para mudar o seu leito de lugar, mas em vão não conseguia.
Certo dia José acordou, e aguardou que o João o saudasse com um bom dia, aguardava em silencio para ouvir suas histórias, mas naquela manhã joão não acordou, ele esperava e esperava em vão ouvir o balbuciar do amigo, mas tudo estava em silencio, José gritou pelo João e não houve resposta, angustiado ele gritou pelos enfermeiros, parecia demorarem uma eternidade, como demoravam João tocou a campainha, de repente alguem entra no quarto. João pede para olhar o amigo que nada responde; o enfermeiro sai as pressa, minutos depois volta com os Médicos, levam rapidamente o João para a emergência, passou se a manhã e o João não volta, entra a equipe de limpeza e higienização, em silêncio José observa e começa a chorar, sabia que o amigo havia saído, e não voltaria; no período da tarde, quando os enfermeiros retornam ao quarto, José diz que tem um pedido, e que gostaria de estar na cama de seu amigo João.
Os enfermeiros o trocamo de leito, José pensava em seu coração na hora em que eu estiver ao lado da janela, acabara minha tristeza, estarei em um melhor lugar, enfim serei alegre e feliz; para sua surpresa a janela não dava para nenhuma rua e para nenhum jardim florido; inquieto José chamou os enfermeiros e perguntou como é que meu amigo via uma rua, jardim, crianças e tantas coisas lindas? E eu estou aqui em seu lugar e só vejo um muro velho sem pintura, os tijolos velhos e caindo? Não há árvores e nem flores!
O enfermeiro olhou para ele, e sorrio, e disse: o que vemos com os olhos nem sempre é o mesmo que vemos com a alma.
E completou, dizendo: O seu amigo José era cego...”

Nenhum comentário:

Postar um comentário